A meus filhos, deixo ausência
A minha família, indiferença
A musa dos meus versos, obsessão fria
Aos vermes, carne putrefada...
A natureza de onde fugi, deixo aquele passo no barro
A cidade onde me escondia, meu fantasma pálido
Deixo meus sonhos nas mãos da decepção
As roupas que vestia, deixo aos mendigos...
Aos meus inimigos, um cuspe no chão
Ao amor, deixo um vazio
À terra adubada, fezes
Para a fome, um anzol...
Deixo melodia para o por do sol
Ao concreto duas gotas do meu sangue
Aos animais deixo minha jaula
Ao violão uma corda quebrada
No porta-retrato, uma foto desbotada
Aos meus amigos, a sombra que refleti
Ao sofá, minha preguiça
Para os cigarros, meu pulmão
Para a poesia eu deixo uma página em branco...
O resto... levo tudo comigo.